sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Vôo 1907, o começo do caos aéreo brasileiro.



Era para ser uma tarde tranquila para a aviação brasileira. Como de costume, os aeroportos recebiam e levavam seus passageiros aos mais diversos destinos. Vôos nacionais continuamente entram e saem dos aeroportos com os mais variados roteiros e destinos, e vários vôos internacionais de grandes companias aéreas fazem o mesmo. Algumas pessoas ascendem aos céus com suas aeronaves particulares e helicópteros. Muitos outros, decolam de aeroclubes. Naquela tarde morna do dia 29 de setembro de 2006, vários aviões decolaram e aterrisaram sem maiores problemas durante todo o dia. Exceto dois.
No aeroporto de Manaus, por volta das três horas da tarde, um grupo de passageiros ansiosos aguardava o momento do embarque . Algumas pessoas conversavam animadamente, enquanto outros, meditavam em silêncio. Um dos passageiros escutava música, em seu walkman. Todos tinham bilhetes pagos para o vôo 1907 da Gol, que sairia as 15:35 com destino a Brasilia, de onde faria conexão para o Rio de Janeiro. Para aquele vôo, 148 assentos haviam sido reservados. O aparelho era um moderno boeing 737-800 que a Gol havia comprado a pouco tempo.



Pessoas de várias regiões do Brasil, do sul, do norte, do centro-leste e de outras localidades estariam alí. Haviam estudantes, cujo futuro era um sonho promissor. Francielle Ferreira Mendes de Rezende, 22 anos era uma delas. A "Fan" como era chamada, estava no quinto período do curso de medicina. A menina de família humilde, que cresceu jogando futebol com os meninos em Goiânia e que ninguém acreditava que pudesse chegar a algum lugar estava alí, aguardando na sala de embarque, com sua colega Viviane Carvalho. Ambas conheceram-se na universidade de Manaus, onde estudavam e juntas tomariam o vôo para se encontrar com suas famílias, que moravam em outras localidades. No mesmo avião embarcariam Osman Melo e Francisco de Oliveira dois técnicos da Radiobrás, que viajariam a trabalho. Alguns trabalhavam no próprio ramo da aviação, como Juvêncio Gomes da Silva e Esdras Loureiro Lucas que eram funcionários da Infraero. Haviam sete gaúchos na lista de passageiros. Todos a trabalho. Havia um grupo de amigos, que combinara pescar na véspera, no rio Madeirinha. Todos tomaram o mesmo avião. Emanuelle Santos, uma bonita jovem de 22 anos, casada a poucos meses era uma das passageiras. Trabalhava para o Inmetro. Dentre os passageiros contavam-se militares, auditores, engenheiros, médicos, bancários e estudantes. Havia também um pastor evangélico. O avião seria pilotado pelo experiente Cmte. Décio Chaves Jr, de 44 anos, cuja folha de serviços já contava com 26 anos de vôo e mais de 15 mil horas de vôo. (Links com fotos dos passageiros e dados biográficos ao final do texto. )
Do outro lado do Brasil, em São José dos Campos, SP, um outro avião preparava-se para partir. Era um Legacy, jato comercial feito pela Embraer com capacidade para 16 passageiros. Esse avião, de origem puramente brasileira foi um grande avanço para a indústria aeronáutica nacional e um grande auxílio aos executivos que dispunham de pouco tempo para realizar suas viagens e seus negócios. Leve, rápido e confortável; suas características logo chamaram a atenção de observadores internacionais.



Uma empresa americana de Taxi aéreo a Excel Aire comprou um dos Legacys da Embraer. A entrega deveria ocorrer no dia 29 de setembro de 2006. Sete pessoas embarcariam no Legacy, que sairia de São Paulo, faria um pouso em Brasília e de lá seguiria para os EUA. O piloto seria o norte-americano Joe Lepore, e seria auxiliado por Jan Paladino. Junto destes, se encontravam Joe Sharkey, um Jornalista americano, correspondente do New York Times que fora convidado pela Excel Aire para voar e avaliar o novo avião (um golpe de mídia), além de executivos da Excel Aire e da Embraer envolvidos na negociação do avião. De acordo com o plano de vôo, o Legacy decolou às 14h17, horário de Brasília em São josé Dos Campos. O piloto automático do jato demorou cerca de 45 minutos para atingir altura e velocidade de cruzeiro, e seguiu adiante de acordo com a rota estabelecida à altura de 37 mil pés. Minutos depois, Lepore ausentou-se da cabine do Legacy, a fim de ir ao compartimento de passageiros. Paladino teria permanecido no cockpit do jatinho. Nesse momento, todos a bordo sentiram um forte impacto, e o jato sacolejou. Olhando pela janela, Paladino nada vê. Lepore, rapidamente entra na cabine e pergunta oque houve. Não recebe nenhuma resposta. O copiloto também não sabia. Dos passageiros, aparentemente o jornalista Joe Sharkey era o mais nervoso com a situação. Olhando através da minúscula janela a sua esquerda, ele notou que parte da asa havia sido arrancada, cerca de 60 centímetros da estrutura mais o winglet. Teria ficado mais nervoso, caso soubesse que parte da deriva também fora partida.





No instante do impacto, Henry Yandle, outro passageiro dissera: "Fomos atingidos". Mas atingidos pelo quê?, absolutamente nada passara por eles, ninguém vira nem ouvira nada, nem mesmo Paladino, que estava na cabine.
Já no comando da aeronave, Lepore procura colocar o jatinho dentro da rota. Desliga o piloto automático e assume o controle manual. A aeronave apesar de manter-se sustentável, não poderia permanecer por muito tempo. Fragmentos da asa partida continuavam a se soltar. Rebites do bordo de ataque foram arrancados, e continuavam a cair. Sharkey podia ver a asa fragmentando-se perfeitamente de onde estava. Nos 25 minutos seguintes, os pilotos, Joe Lepore e Jan Paladino, analisaram seus instrumentos à procura de um aeroporto. Nada aparecia. Eles enviaram um pedido de socorro, que foi recebido por um avião de carga em alguma parte da região. Não houve contato com nenhum outro avião. Lepore então avistou uma pista em meio à mata escura. "Eu consigo ver um aeroporto", disse. Eles tentaram contatar a torre de controle, que era de uma base militar escondida Amazônia adentro. Ele fizeram uma curva acentuada para reduzir a pressão na asa. Enquanto se aproximavam da pista, eles receberam o primeiro contato do controle de tráfego aéreo. Não sabiam se a pista era longa o suficiente, ou se estaria desempedida, mas era tentar ou morrer. No mínimo, morrer tentando. Com um baque forte e muita trepidação, o Legacy conseguiu encostar o trem de pouso na pista. Estava vazia. Milagrosamente eles conseguiram pousar em segurança. Com os olhos fitos no asfalto e a garganta seca, os pilotos desligaram o aparelho. Estavam em terra. Estavam vivos. No entanto, a notícia que se seguiria, seria dolorosa como a morte.





Nem os pilotos do Legacy nem os passageiros se deram por conta. Mas o que os atingiu e quebrou parte da asa não foi uma ave ou algum objeto carregado pelo vento. Tampouco uma falha estrutural da produção da aeronave da Embraer causou o acidente. O Legacy estranhamente estava na mesma rota de vôo de um Boeing, o vôo 1907 da Gol, que decolara de Manaus com destino a Brasilia. Para as pessoas que estavam no Boeing, o sinistro trouxe muito mais do que medo.
Da mesma forma que Paladino, é improvável que o experiente piloto Décio Chaves Jr. tivesse visto algo. No máximo, um detalhe ao longe, semelhante a uma ave e em seguida o impacto, e antes que pudesse tomar alguma providência, a tontura e a escuridão. Nada mais, sem muita histeria, sem possibilidades de salvar-se. Devido ao tempo decorrido desde a decolagem até o momento da colisão, as duas aeronaves certamente estavam em vôo de cruzeiro, a mais de 900 km/h. O choque entre as asas foi instantâneo. Cerca de 300 km/h mais rápido do que uma bala de revólver. Não lhes foi dado nem o tempo de pedir auxílio.
O Impacto desestabilizou completamente o Boeing. Tendo a asa esquerda removida pelo winglet da asa esquerda do Legacy, o avião maior descontrolou-se e mergulhou no vazio. A sustentação perdeu-se por completo. A asa avariada tornou-se nula pelas leis da física, e a outra permaneceu em seus esforços de sustentação. O lado esquerdo inclinou-se, devido à remoção da asa, e o lado direito subiu mais, iniciando um parafuso irreversível. Nesse momento do vôo, os comissários muito possivelmente estivessem realizando seus serviços. Também é provável que alguns passageiros tivessem desafivelado os cintos como é de costume, para poder acomodar-se melhor nas poltronas, ou quem sabe, para ir ao banheiro. Se isso aconteceu, eles teriam sido os primeiros a morrer, ao serem arremessados contra a estrutura do avião.Tendo-se inclinado em relação ao eixo original de vôo, o Boeing girou e ficou de cabeça para baixo, retornando á posição original em seguida. Esse movimento levou à estrutura metálica ao colapso. O aparelho perdeu o controle, e começou a cair em parafuso. A pressão interna do avião mudou bruscamente, o bojo despressurizou-se. Instantaneamente os passageiros e tripulantes desmaiaram. A mudança brusca da pressão, velocidade e altura fazem com que o metabolismo humano se altere, oxigenando o sangue e o cérebro de modos muito diferentes em um curto espaço de tempo. Invariavelmente isso conduz á perda de sentidos. No caso do Boeing, isso foi mais do que óbvio.
Com a estrutura danificada pelo impacto com o Legacy, e somando-se o esforço estrutural da queda em parafuso, o Boeing começou a despedaçar-se em plena queda. Parte da fuselagem se rompeu nesse momento. A força de sucção do ar era irressistível. Muitos corpos foram sugados para fora e arremessados no vazio. Ao encontrarem o solo, abriram crateras de mais de meio metro de profundidade, soterrando-se com galhos, folhas de árvores e metal da fuselagem do avião. Este, em sua, caiu com o bojo para cima. A cabine dos pilotos comprimiu-se fortemente contra o solo. O avião partiu-se, e perdeu combustível ainda em queda. Não houve focos de incêndio.







Nesse momento alguns familiares sentiram alguma coisa estranha. O pai da jovem Francielle Rezende sentiu um amargo no peito, enquanto descansava sentado em uma cadeira. Uma criança, cujo pai estava no avião disse a mãe: " o avião do papai caiu."




Em Brasília, na sede do Cindacta 1, onde os controladores de vôo conduzem através de radares os diversos aviões que circulam no centro-oeste do país, um momento de pânico tomou conta de todos. A sala silente obeservava incrédula, um avião sumir do radar, e outro emitir um pedido de ajuda.





O radar apontou uma possivel colisão, pois ambos estavam na mesma rota. Minutos depois, chega a notícia de que um avião avariado, da Embraer, fizera um pouso forçado na serra do cachimbo. Muitos operadores engoliram em seco. Outros começaram a chorar. Eles tinham ciência do que ocorrera. O Cindacta era a única testemunha do acidente envolvendo o Legacy e o Boeing da Gol. Naquele dia, muitos controladores não foram para casa, devido ao choque. Durante toda a tarde, e durante a madrugada, uma enchurrada de telefonemas invadiu a sede do Cindacta 1, e outros tantos telefonemas foram emitidos de lá. Controladores que nem mesmo estavam trabalhando no dia, vieram as pressas. Era uma cena rara, algo impensável numa sede de controle aeroviário. Acidentes sempre ocorreram, mas uma colisão em pleno ar era algo absurdo demais para ser tolerável. Menos de um em um milhão é a chance de ocorrer um sinistro como esse, e naquela tarde havia ocorrido, debaixo dos olhos deles.
Em Brasília, parentes das vítimas esperavam ansiosamente no salão de desembarque, pela chegada do vôo 1907. Olhavam continuamente no relógio, e no monitor do aeroporto, onde aparecia o horário de chegada do Boeing. Estava atrasado a muitos minutos. Tensos, alguns perguntavam o motivo do atraso no balcão do check-in, mas não recebiam respostas objetivas. Ninguém sabia de nada. Alguns minutos depois, com voz tensa e aparência dura, um enviado da empresa notifica aos familiares, que o avião desaparecera. Para muitos, uma nuven escura de pesar tomou conta de seus pressentimentos. Em casa, algumas famílias foram notificadas por telefone, por funcionários da Gol ou por parentes. O que ninguém sabia até o momento, era a extensão do acidente. Sabiam apenas que o avião havia sumido, e logo, ficaram sabendo do legacy, do pouso forçado. Souberam que ambos estavam na mesma rota, e que possivelmente haviam colidido. Muitos dos parentes foraam levados a hotéis de Brasília. A Gol forneceu transporte aéreo e terrestre para que outros familiares se juntassem a esses. Todos permaneceriam durante aquele final de semana no Distrito Federal, cobrando informações, chorando e se consolando mutuamente.
















Na mesma tarde, através de sua assessoria de imprensa, a empresa aérea emitiu a seguinte nota sobre o desaparecimento do avião: "A Gol informa que o vôo 1907, que partiu hoje do aeroporto de Manaus, às 15h35 (horário de Brasília) desta sexta-feira, e tinha chegada prevista no aeroporto de Brasília, às 18h12, não tem o seu pouso confirmado até o momento. Estamos aguardando informações oficiais das autoridades aeronáuticas sobre o vôo. A Gol divulgará mais informações assim que estiverem disponíveis". Posteriormente, essas notas seriam aumentadas, com novos detalhes. Por mais de um mês o site www.golnaweb.com.br disponibilizou as notas da presidência sobre o acidente. Por fim, ao se ter a confirmação da queda do avião, e das suas mortes, a presidência da Gol deu uma coletiva de imprensa, na tarde do sábado dia 30 de setembro. Antes da coletiva, o presidente da empresa, Constantino de Oliveira Jr., leu a seguinte nota, oficializando a posição da companhia:

"É com imenso pesar que venho confirmar o trágico acidente ocorrido com uma de nossas aeronaves, fato que já foi noticiado por todos os senhores [jornalistas]. Quero, em nome de todos os que trabalham na Gol, transmitir minha solidariedade aos familiares e amigos das vítimas. Todos os colaboradores da Gol estão comprometidos e engajados em atender às necessidades imediatas das famílias desses passageiros. Já fizemos contato com suas famílias, para dar informações e apoio. A Gol ativou um Centro de Assistência às Famílias, formado por uma equipe de profissionais e voluntários experientes, preparados para fornecer apoio humanitário e assistência material e psicológica a todos. Também colocamos um número de telefone gratuito à disposição dos familiares desses passageiros: é o 0800-2800749. Informações atualizadas poderão ser encontradas também na internet, no website: www.voegol.com.br/comunicado. O Boeing 737-800 tinha capacidade para 178 passageiros, mais a tripulação. A aeronave, de prefixo GTD, foi entregue à Gol no último dia 12, e tinha apenas 234 horas de vôo. As investigações já estão em andamento para determinar o que aconteceu. Elas serão conduzidas pela Divisão de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Dipaa) e o relatório final será emitido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Esses são os órgãos oficiais de investigação de acidentes aeronáuticos no Brasil. O trabalho será realizado em conjunto com a Equipe Interna de Investigação de Acidentes da Gol. As aeronaves da Gol já voaram mais de 650 mil horas sem acidentes fatais, desde que a companhia entrou em operação, em 15 de janeiro de 2001. Em breve anunciaremos um cronograma das reuniões periódicas que realizaremos com as famílias. Desta forma, poderemos manter todos informados e atualizados. Também divulgaremos oportunamente informações sobre entrevistas coletivas à imprensa. Essas são as informações de que dispomos no momento. Muito obrigado a todos vocês."







As tristes palavras ecoariam nos ouvidos de muitas pessoas por longos dias. Nas semanas seguintes, militares foram deslocados para a região do acidente em busca de sobreviventes. O cenário encontrado por eles era desolador. Corpos sepultados em pequenas covas abertas pela força do impacto, pedaços de metal expalhados por um raio de mais de um quilômetro, um calor insuportável, mata densa, fechada, dificultado acesso às equipes de resgate. Nenhum sobrevivente foi encontrado. Muitos corpos só puderam ser identificados mediante exame de DNA. A cada dia, famílias tensas aguardavam notícias das buscas, na tênue esperança de que alguém pudesse ter sobrevivido. Dias depois, alguns familiares se deslocaram com as equipes de busca para a região, para acompanhar de perto as averiguações. Ao fim, todos concordaram com a triste realidade: Era impossível que alguém pudesse ter sobrevivido aquilo.










A mídia no país e no exterior comentou abundantemente sobre o sinistro. Durante o primeiro mês, todos os jornais impressos do Brasil comentaram o ocorrido, trazendo a cada dia novos detalhes do acidente, sendo que muitas das informações eram repetidas a cada edição, devido a falta de detalhes precisos. Foram comuns as matérias do tipo : "Identificada a 13° vítima do vôo 1907", " É sepultado em tal lugar, o passageiro tal". Nunca um acidente aéreo foi tão festejado pela mídia. No exterior, muitas críticas foram feitas á aviação brasileira. Também a justiça federal foi fortemente atacada, especialmente no blog do jornalista Joe Sharkey um dos passageiros do Legacy, devido ao tratamento dispensado aos pilotos Joe Lepore e Jan Paladino, pois estes foram acusados de serem os causadores da colisão entre as aeronaves. Suas habilitações de vôo foram cassadas pela justiça brasileira, e ambos foram impedidos de sair do país até o fim das investigações.





A Empresa Excel aire, para a qual trabalhavam, ficou com a pasada responsabilidade de mantê-los no país, em um luxuoso hotel no Rio de Janeiro até a conclusão dos inquéritos. Nos principais telejornais foi noticiado que ambos desligaram os transponders do jato com o fito de fazerem manobras acrobáticas no céu, a efeito de testes com o novo avião, e com isso, facilitaram a colisão. Também foi sugerido que ambos deixaram a cabine só, sendo o aparelho comandado pelo piloto automático enquanto estes permaneciam com os passageiros no interior do avião. Nesse momento teria havido a colisão. Sharkey deu uma entrevista para o Today's Show da NBC na qual afirmou: "Precisamos ter cuidado com as evidências coletadas pelas autoridades brasileiras sobre o acidente". Suas asserções foram profundamente criticadas por Waldir Pires, ministro da defesa do Brasil e declaradas "lamentáveis".
O inquérito prosseguiu por meses. Foi constatado que houveram falhas também da torre de comando, cujas ordens procedentes do Cindacta 1 em Brasília, favoreceram o sinistro com o vôo da Gol. Devido a imensa chuva de críticas e ao apelo que estavam tendo na mídia desde o acidente, os controladores de vôo do Brasil aproveitaram inteligentemente o momento para fazer uma série de reivindicações trabalhistas. Entre elas, diminuição da carga horária, por ser estafante e estressante, e a desmilitarização do setor. Esse processo gerou uma crise imensa na aviação nacional. Aeroportos entulharam de passageiros com vôos atrasados, embarques foram cancelados, aviões pernoitaram nas pistas, pacotes turísticos foram cancelados, grandes somas de dinheiro foram perdidas.





Mais uma vez, a mídia deu um auxílio ao caos, criticando aviadores, controladores e militares, incentivando a população a desisitr de viajar por rotas aéreas. Nessa nova conjuntura instalada na aviação, muitos militares criticados foram afastados de suas posições, e o governo federal votou uma desmilitarização crescente do setor. Foram abertos concursos para civis ocuparem os cargos de controladores de vôo. A crise seguiu-se por vários meses.
Quanto ás mortes do vôo 1907, a Gol permanece atendendo pedidos de indenização de familiares. Alguns foram atendidos, e outros permanecem na justiça para avaliação. Dias depois do acidente, fotos de pessoas mortas e carbonizadas circularam por e-mail, atingindo quase todo o país. As informações falsas diziam que eram do vôo da Gol, mas posteriormente constatou-se ser uma fraude. Eram fotos de um acidente com um monomotor. Também circularam fotos de um passageiro sendo sugado para fora de um avião, no vão aberto pelo rompimento da empenagem. Segundo os dizeres do e-mail, que também circulou o país, um passageiro (cujo nome foi dado e nem pertencia realmente a um dos passageiros) tirou fotos do acidente com sua câmera portátil antes da colisão. A câmera supostamente havia sido encontrada por um militar e vendida a repórteres. Posteriormente as fotos foram identificadas como sendo cenas do seriado Lost. Outro E-mail de menor alcance, mas que gerou bastante comentário, afirmava que o grupo que havia ido pescar no rio madeirinha estava trabalhando com um projeto inovador de energia, no qual, era dispensável o uso do petróleo e através de novos métodos, produzir-se-ia um combustível limpo, que seria acessível a todos. Como o núcleo desse projeto previa o fim do uso do petróleo e o favorecimento de nações pobres, o vôo teria sido sabotado pela CIA, e as mortes seriam planejadas para pôr um fim no suposto projeto...
Apesar de toda a manifestação feita em torno do acidente, o assunto já está caindo no esquecimento. Mas para aqueles que estão vivos, e tem de carregar a dor da perda, o sofrimento é grande, e a memória não vai permitir que os tristes fatos se apaguem jamais. Quanto a Gol, a empresa permanece firme e em crescimento. Também segue procurando resolver todas as questões relativas à indenização ás familias dos mortos do acidente. Certamente que os atenderá, apesar da demora.



Lepore e Paladino receberam ordem judicial para voltar aos EUA, depois de mais de dois meses sem sair do Brasil, e Sharkey, prossegue criticando o país em seu blog. A justiça não determinou a causa exata da colisão, mas se sabe que houve erro tanto de pilotos quanto de controladores. Aos vivos ficou a tristeza pela perda, aos aviadores e passageiros foi deixada um crise sem precedentes no setor, para o Gol ficou uma dívida imensa e uma dor de cabeça, para os mortos, ficaram as flores. Uma deixadas sobre lápides, outras atiradas de helicóptero sobre o local da queda do Boeing. Que esses possam sempre ser lembrados com carinho.




3 comentários:

  1. Ótimo texto, realmente é lamentável o fato que, passados 10 anos, os culpados ainda não foram punidos.

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  2. Foda hein! Não existe asa ou qualquer parte seja ela de qualquer material que possa suportar um impacto e uma força incalculável a uma velocidade de mais de 1600 km/h. Pelo diferencial de pressao que existe dentro da aeronave em relação ao lado de fora. se abriu um rombo na estrutura aquela velocidade e altitude,e somando a descida em parafuso, fez com que a estrutura fosse toda dilacerada. Eu pela teoria de voo, o que derrubou o Gol foi justamente a velocidade somada a ruptura na sua fuselagem. Por que? Se for analisar, se isso tivesse acontecido em baixa velocidade e baixa altidude, não existiria pressao pra desmontar o aviao. porque o legacy naão amputou totalmente a asa do boeing, o legacy avariou a asa, e a pressao e velocidade se encarregou de dilacera o resto. O aviao não entra em parafuso logo após a colisão, demora um pouco o alarme sonoro de bank angle, isso comprova que a velocidade aliada a pressao fez com que arrancasse o restante da asa. A aeronave nao entrou em parafuso 2 segundos após a colisao, pois seria isso, que aconteceria caso o legacy tivesse arrancado toda a asa, notei entao que, a pressao aliada a velocidade que fez com que arrancar a asa que estava avariada e danificada, arrebites não suportou a velocidade e vento de mais de 800 km/h.

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