sábado, 28 de janeiro de 2006

Galeria Vip

Galeria vip, para todos os que trabalham, trabalharam ou trabalharão na aviação. Entrevistas, bate-papo, e comentários acerca das profissões relacionadas à aviação. Todas as entrevistas ou notícias apresentam o link de acesso na WEB.



Comissário: Técnico em Segurança ou Garçom de Luxo?

Muito já se falou e ainda se fala sobre a natureza da profissão do comissário de vôo. É impressionante constatar o número de comparações que se tenta estabelecer para descrever aquilo que fazemos e realizamos no nosso dia a dia. Para os mais leigos e, justiça seja feita, aqueles que mal escondem uma pontinha de inveja, somos bandejeiros, ou ainda garçons de luxo (já deixando bem claro que nada tenho contra a categoria dos garçons); para outros, e desta segunda facção fazem parte nossos próprios colegas, somos reduzidos ao pomposo nome de técnicos em segurança.

Não é a palavra "técnico" que me preocupa, afinal todo aquele que tem um ofício acaba sendo técnico em alguma coisa; muito menos o vocábulo "segurança". Segundo o Dicionário Aurélio, "técnico" é o indivíduo que aplica determinada técnica, ou ainda: especialista, perito, experto. O que salta aos olhos é o mecanismo pelo qual alguns profissionais da área declaram: eu sirvo sim, mas sou um técnico em segurança. Olha só como eu sou importante! E mal se dão conta de que, nesse momento, estão esfacelando a profissão.

Apenas como comparação: não seria muito bizarro se disséssemos que um cirurgião é um terço açougueiro - porque corta carne; outro terço sapateiro - porque costura pele; e um terço médico - porque, afinal de contas, também cura pacientes?

Da mesma forma é errôneo tentar destrinchar a profissão de comissário conforme as atribuições realizadas no dia a dia. Somos comissários de vôo e pronto; com todos os direitos e obrigações que a função nos traz.

Ora, sempre me perguntei o porquê dessa visão tão esquizofrênica, que tenta dividir nossas atribuições conforme a conveniência da situação e do ego de cada um. Talvez a segunda opinião seja uma reação natural à primeira, numa tentativa de enaltecer o profissional da área e de demonstrar que não somos servis. Além disso, segundo essa visão, coloca-se uma lupa gigantesca no aspecto técnico e renega-se o lado social do comissário, que tem, dentre as suas atribuições, o servir.

Ocorre que, dentro dos padrões culturais ocidentais o servir remete a uma idéia de sujeição e servilismo e isso em si é feio.É claro que não abertamente, mas de uma forma velada. Para nós, ocidentais, o ato de servir nos diminui profissionalmente.

Já nas sociedades orientais, o mesmo ato não se encontra numa escala inferior e surge como algo que enaltece a alma e enobrece o homem. Daí o fato de as empresas aéreas dos países dessas partes do mundo estarem sempre dentre as primeiras em atendimento. Simplesmente porque não é preciso convencer nenhum profissional da importância do atendimento: é inato, já faz parte da sua cultura.

Não prego aqui que se deva negligenciar os aspectos relativos à segurança. Há momentos em que não se pode contemporizar entre esta e o atendimento: ao se atravessar uma zona de turbulência, por exemplo, o serviço de bordo obviamente será suspenso; os gestos delicados e a voz maviosa de uma comissária podem ter de transformar-se em movimentos e comandos enérgicos, caso tenha que retirar rapidamente da aeronave aqueles clientes a quem acabou de servir o champanhe de boas vindas na primeira classe.

Inversamente, não se deve usar de rudeza gratuita ao solicitar a um passageiro para que cumpra uma norma de segurança como justificativa de que se está a bordo única e exclusivamente para assegurar a integridade física daqueles que pagaram - caro- por um bilhete aéreo. Ou, ainda, justificar uma aparência deplorável pelo mesmo motivo.

De qualquer modo, lancemos um olhar sobre a legislação do aeronauta. Faz-se nítida distinção entre funções técnicas e não técnicas, expressamente enquadrando comissários como exercendo as últimas - sem, contudo, denegrir ou diminuir o trabalho deste profissional. Deve-se fazer a ressalva de que, ao se referir a tais funções - técnicas e não técnicas -, o legislador quis prescrever que os comissários não exercem quaisquer atividades relacionadas à aeronavegabilidade da aeronave. Ainda nos passos da Lei 7183, cito um trecho do artigo que especifica que...o comissário é o auxiliar do comandante, encarregado do das normas relativas à segurança, atendimento dos passageiros a bordo...etc, mais um reforço legal de que nossa profissão não pode e não deve ser dissecada.

O que pretendo com esse artigo é apenas provocar uma reflexão naqueles que já são ou cogitam ser comissários. Há que se ter uma visão integrada da carreira, e em cada ato, em cada gesto, em cada vôo - seja ele o primeiro ou o último antes da aposentadoria - agir com ética e de maneira a enaltecer o grande grupo de pessoas que abraçou e abraçará a profissão. Observar cintos atados para a decolagem e pouso é tão importante quanto manter uma aparência pessoal impecável. Executar uma voz de comando firme e eficaz é tão vital quanto cultivar um comportamento sereno e cortês.

Em suma, se hoje me fosse perguntado quais as características essenciais presentes em um candidato a comissário/a, sem dúvida eu responderia: equilíbrio, visão e bom senso. Sem esquecer, é claro, daquela máxima, que pode parecer ultrapassada, mas que, nesse caso, ainda cai muito bem: Quem não vive para servir, não serve para viver.
Por Ramiro fernandez, na ativa desde 1984.
http://www.aerosul-rs.com.br/


Comissários de bordo. Como fazer?


Comissários de Bordo (ou de Vôo) – Aeromoças, no caso das mulheres – são profissionais responsáveis por garantir um ambiente de tranqüilidade, conforto e segurança aos passageiros, seja servindo refeições, administrando conflitos e comportamentos inconvenientes, ou mesmo zelando pela vida de quem está a bordo, em caso de acidentes.
É bem verdade que a profissão tem o seu lado fascinante, possibilitando que se conheça muitas cidades e países, razão pela qual acaba atraindo a atenção de muitos jovens. Contudo, a rotina de trabalho exige grande responsabilidade desses “agentes de segurança”, que são treinados para saberem lidar com situações de emergência, o que faz com que a rotina de trabalho seja bastante cansativa.
Apesar disso, o Comissário jamais deverá aparentar cansaço, tão pouco perder o bom humor, enquanto estiver desempenhando o seu trabalho, pois a imagem da qualidade do serviço prestado pela companhia está diretamente ligado à forma pelo qual trata as pessoas que estão a bordo da aeronave. Em regra, quando um passageiro recebe um bom tratamento, ele acaba voltando a voar pela mesma empresa.

CURSO

Em todo o País, há uma porção de escolas de aviação homologadas pelo DAC (Departamento de Aviação Civil), que oferecem, entre outros cursos, treinamento para a função de Comissário de Bordo. No entanto, para participar é necessário atender a determinados pré-requisitos, conforme explica Salmeron Pionto Júnior, diretor da CEAB, escola especializada na formação de profissionais na área da aviação civil comercial. “O curso de Comissário de Bordo é destinado a quem tem idade entre 18 e 29 anos, segundo grau completo e altura mínima de 1.58 para as mulheres e de 1.65 para os homens”, conta.
De acordo com Salmeron, as aulas teóricas são ministradas a bordo de um simulador, devendo os alunos estarem devidamente uniformizados. “A programação do curso inclui matérias como Emergência, Segurança e Sobrevivência (ESS), Regulamentos da Profissão do Aeronauta (RPA), Medicina Aeroespacial, Primeiros Socorros (PSS) e Conhecimentos Gerais de Aeronaves (CGA), entre outras disciplinas exigidas pelo DAC”, relata.
Na parte prática do curso ministrado na CEAB são realizados treinamentos de Sobrevivência na Selva, Sobrevivência no Mar e Combate ao Fogo. “Como matérias suplementares incluímos: Etiqueta Social e na Aviação, Marketing Pessoal (Técnicas de Comunicação), Maquiagem, Uniforme, Serviço de bordo , Psicologia, Inglês e Espanhol”, completa o diretor.

PERFIL
As empresas aéreas, ao selecionarem os seus profissionais, costumam contratar Aeromoças com 1,58 ou 1,60 de altura mínima, peso compatível e que não apresentem tatuagens em partes visíveis do corpo. No caso dos homens, a altura mínima ideal para a função é de 1,68 ou 1,70 de altura. Outro fator importante para ingressar no mercado é o conhecimento de línguas, especialmente o inglês. Ter boas noções de conversação nesse e em outros idiomas serão sempre bem-vindos para quem atua na área. Gostar de se relacionar com pessoas diferentes também é essencial. “Quem pretende vencer na profissão deve gostar de servir, saber relacionar-se, ter simpatia e ser cordial com as pessoas, além de gostar de viajar”, aponta Salmeron, que recomenda as área de Atendimento à Bordo, a carreira de Instrutor e também a de Chefia de Comissários, as quais considera bastante promissoras no setor.

Rogerio Jovaneli
http://jcconcursos.uol.com.br/

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